Sal rosa do Himalaia virou símbolo de alimentação saudável — custa 5 a 10x mais que o sal comum e promete mais minerais, menos sódio e até propriedades especiais. Mas o que a ciência diz sobre essas afirmações?
De onde vem o sal rosa do Himalaia?
É extraído de minas no Paquistão — não exatamente nas montanhas do Himalaia, mas em regiões próximas. A cor rosa vem de traços de óxido de ferro (ferrugem). É genuinamente uma rocha salina com pequenas quantidades de minerais adicionais.
Os minerais adicionais importam?
O sal rosa tem mais de 80 minerais traço além do sódio e cloro. O problema: as quantidades são minúsculas. Para obter uma quantidade clinicamente relevante de ferro pelo sal rosa, você precisaria consumir muito mais sódio do que o limite diário recomendado. Os minerais adicionais são irrelevantes em termos práticos.
Tem menos sódio que o sal comum?
Tecnicamente, gramo por gramo o sal rosa tem um pouco menos de sódio — porque os minerais traço ocupam algum espaço. Mas a diferença é tão pequena (cerca de 2-3%) que não tem impacto real para a saúde.
O sal rosa não é iodado
Esse é o ponto mais importante. O sal refinado comum é enriquecido com iodo por lei no Brasil — fundamental para prevenir hipotireoidismo e deficiência de iodo, especialmente em crianças. O sal rosa não passa por esse processo. Quem usa sal rosa exclusivamente pode ficar deficiente em iodo.
Conclusão
Sal rosa não é mais saudável que o sal refinado iodado para a maioria das pessoas — e pode ser menos por não conter iodo. Se você gosta do sabor ou da estética, não tem problema usá-lo pontualmente. Mas não substitua completamente o sal iodado por ele, especialmente se tem crianças em casa.